A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, declarou nesta quarta-feira (25) que a condenação dos mandantes pelo assassinato de sua irmã, a vereadora Marielle Franco, representa uma resposta direta à parcela da sociedade que desdenhou da tragédia. A fala foi feita após o Supremo Tribunal Federal (STF) condenar os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão a 76 anos de prisão por serem os mandantes do crime.
“Queria tirar do meu peito uma fala que ecoa dentro de mim há 8 anos e falo agora com muita dignidade, de cabeça erguida, que isso hoje também é um recado para uma parcela da sociedade que debochou da morte da minha irmã”, afirmou Anielle Franco, emocionada, ao deixar o plenário do STF. Ela se referia aos que, segundo ela, usavam a imagem de Marielle de forma pejorativa em períodos eleitorais. “Uma parcela que todo ano eleitoral traz minha irmã como um elemento descartável, ou trazia a minha irmã como sendo apenas mais uma ou como falavam o mimimi sobre Marielle Franco”.
O julgamento foi acompanhado por familiares, amigos e parlamentares do PSOL, partido de Marielle. A mãe da vereadora, Marinete Silva, descreveu a condenação como um alívio. “A gente sai de cabeça erguida”, disse. Luyara Franco, filha de Marielle, destacou o significado político: “É uma resposta aos 46.502 eleitores da minha mãe”.
Mônica Benício, companheira de Marielle, enfatizou que o caso serve de exemplo contra a impunidade. “O que perdemos é irreparável, mas a democracia precisa ser reparada. O que aconteceu aqui é uma parte importante do capítulo que se escreve na defesa da nossa democracia”.
Fernanda Chaves, assessora e sobrevivente do atentado que matou Marielle e o motorista Anderson Gomes em 2018, classificou a decisão como histórica. “O Estado Brasileiro hoje passa um recado de que crimes como esse não serão toleráveis. O Brasil responde aos brasileiros”.
Parlamentares presentes reforçaram o impacto da sentença. Para a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ), penas que ultrapassam 70 anos enviam uma mensagem clara de que a milícia “não pode e não vai governar o Rio de Janeiro”. Já a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) vinculou a condenação à preservação da democracia.
Ágatha Arnaus, companheira de Anderson Gomes, expressou um sentimento de fé renovada: “Ainda há esperança e quem faça o bem. Tenho fé ainda hoje”.