O feijão sempre esteve na base da alimentação do brasileiro, muito antes mesmo de o território se tornar Brasil. A presença deste grão na mesa nacional é um fenômeno cultural e histórico que remonta aos povos originários e se fortaleceu ao longo dos séculos, tornando-se um dos pilares da culinária do país.
Hoje, estima-se que aproximadamente 60% dos brasileiros consumam feijão regularmente, um dado que evidencia a sua importância na dieta e na identidade nacional. Mas como este alimento, em suas diversas variedades, chegou a ocupar um lugar tão central no nosso prato?
A história começa com o cultivo e o consumo pelos povos indígenas, que já dominavam técnicas de plantio e preparo. Com a chegada dos colonizadores portugueses e, posteriormente, com a influência africana trazida pela diáspora, o feijão foi se transformando, ganhando novos acompanhamentos, temperos e significados. O clássico “arroz com feijão” é, na verdade, o resultado de uma fusão cultural profunda.
A popularização massiva do feijão está intimamente ligada a fatores como a sua alta densidade nutricional, o custo relativamente baixo de produção e aquisição, e a sua versatilidade na cozinha. Ele é uma fonte crucial de proteínas, fibras e minerais para uma grande parcela da população.
O processo de “invenção” do feijão como o conhecemos hoje foi, portanto, gradual. Não foi um momento único de criação, mas uma construção coletiva, feita de trocas culturais, adaptações culinárias e necessidade. De alimento básico dos povos nativos a símbolo da cozinha brasileira, o feijão percorreu um longo caminho para se tornar indispensável na mesa de milhões de lares.