Empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro repassaram mais de R$ 700 milhões em ativos do Banco Master para uma offshore sediada nas Ilhas Cayman, um conhecido paraíso fiscal, da qual o próprio Vorcaro é sócio. A informação consta em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtido pelo g1 e pelo jornal ‘O Globo’.
O Banco Master está sob investigação da Polícia Federal na operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras bilionárias envolvendo títulos podres.
As transferências, realizadas em 2025, tiveram como destino a Titan Capital Holding, empresa fundada em setembro de 2024 no paraíso fiscal. Além de Vorcaro, a offshore tem como sócios Angelo Antonio Ribeiro Da Silva, que integrava o quadro societário do Master, e Luiz Antonio Bull, ex-diretor do banco.
Na semana passada, o Banco Central decretou a indisponibilidade dos bens da Titan Capital Holding, bloqueando seu patrimônio e impedindo a venda ou transferência de ativos.
Operações em detalhe
- 31 de janeiro de 2025: O Fundo Quiron, administrado pela Reag, transferiu cotas do Banco Master para a Titan Capital Holding no valor de R$ 85 milhões.
- 28 de fevereiro de 2025: O Fundo Saint German, também administrado pela Reag e acionista da Titan, recebeu cotas do Master no valor de R$ 66 milhões.
- 2 de abril de 2025: A GSR Fundo de Investimento, cujo acionista único é o fundo Astralo 95 (da Reag), transferiu R$ 555,7 milhões para o Fundo Krispy, que tem a Titan como único acionista.
Somadas, as três operações totalizam R$ 707,1 milhões em ativos transferidos do Master para a estrutura offshore.
Além de receber esses recursos, a Titan também movimentou grandes valores. Em 14 de julho de 2025, a empresa transferiu R$ 315 milhões para o Fundo Tessália, outro fundo relacionado ao Master e acionista do grupo médico Oncoclínicas.
O grupo Oncoclínicas, que tem o Banco Master como acionista, informou após o escândalo que possuía R$ 433 milhões aplicados em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) emitidos pelo banco.