O tenente-coronel Mauro Cid, delator e condenado na trama golpista investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), será transferido para a reserva do Exército Brasileiro. A informação foi confirmada pela defesa do militar, que atuava como ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A portaria que autoriza a passagem para a reserva foi assinada pelo comandante do Exército, general Tomás Paiva, após análise de uma comissão sobre o pedido formalizado por Cid em agosto de 2025. A medida deve entrar em vigor a partir de 31 de janeiro de 2026, após publicação no Diário Oficial da União.

Com a transferência, caracterizada como uma aposentadoria antecipada (cota compulsória), Mauro Cid manterá a patente de tenente-coronel. Ele terá direito a uma remuneração proporcional aos quase 35 anos de serviço militar, estimada em torno de R$ 16 mil mensais.

O militar terá um prazo de até 90 dias para desocupar a residência funcional que ocupa na vila militar de Brasília. Atualmente, Cid cumpre pena de 2 anos de prisão em regime aberto, com restrições como recolhimento noturno, proibição de sair do país e de utilizar redes sociais.

Mauro Cid foi condenado pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Sua pena foi reduzida em razão do acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público.

Em seu depoimento, Cid foi uma peça central ao apontar a participação direta de Jair Bolsonaro em reuniões com tratativas golpistas para permanecer no poder após a derrota nas eleições de 2022. O militar também delatou generais de alta patente, como Braga Netto – preso por tentar atrapalhar as investigações – e antigos colegas.

Em alegações finais ao STF, a defesa de Cid argumentou que o processo de colaboração foi “traumático” para o militar, resultando em isolamento e sendo tratado como traidor dentro e fora dos quartéis.