As chuvas intensas que atingiram o interior de São Paulo em janeiro de 2026 tiveram um impacto direto na citricultura do estado, afetando a qualidade das frutas e resfriando o mercado. A análise é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) da USP de Piracicaba.

A umidade excessiva elevou a incidência de podridões e fungos nos pomares. Conforme o Cepea, parte da produção destinada à indústria foi perdida, enquanto outra parcela chegou ao mercado com padrão inferior. Essa combinação exerceu pressão sobre as cotações em um ambiente já caracterizado por oferta elevada.

Os preços já começaram a refletir essa pressão. A caixa de 40 kg da laranja-pera para consumo in natura, que fechou a R$ 43 no dia 12 de janeiro, caiu para R$ 41 no último dia 30 do mesmo mês, uma queda de quase 5%.

Os volumes de chuva foram expressivos. Em Limeira, foram registrados 55 milímetros em apenas duas horas na noite do dia 29 de janeiro, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Em Piracicaba, o volume chegou a 65 milímetros no mesmo período.

Diante desse cenário, o recebimento de frutas no mercado spot (à vista) permaneceu mais contido, com as indústrias focadas no cumprimento de contratos já firmados e no processamento da fruta própria.

O contexto climático adverso se soma aos desafios históricos da citricultura paulista, como o combate ao greening (huanglongbing/HLB), considerada a praga mais destrutiva da citricultura mundial. Recentemente, foi formalizado um convênio de R$ 90 milhões para um centro de pesquisa aplicada (CPA Citros) que visa desenvolver estratégias de inovação e sustentabilidade no setor, reunindo 19 instituições de sete países.

Um levantamento do Fundecitrus apontou que a região de Limeira foi a mais afetada pelo greening no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais em 2024, com a incidência da doença passando de 73,87% para 79,38% em relação a 2023.