O excesso de chuvas no Oeste Paulista tem causado perdas significativas na produção de látex, comprometendo a safra em uma das principais regiões produtoras de borracha natural do estado. Produtores relatam dificuldades na coleta e prejuízos devido à diluição do produto.
Em Indiana (SP), o produtor Paulo Renato Cardoso esperava colher cerca de 30 mil quilos de látex este ano em sua propriedade de 10 hectares. No entanto, as chuvas acima da média têm atrapalhado o processo de sangria – técnica de extração do látex – e afetado a qualidade do material coletado.
“Quando chove logo após a sangria, as canecas onde o látex é armazenado acumulam água, o que compromete totalmente o produto. Em muitos casos, não há tempo suficiente para realizar a coagulação e evitar as perdas”, explica Cardoso.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), somente nos primeiros 45 dias do ano, o volume de chuvas na região de Presidente Prudente ficou 40% acima do previsto. Essa instabilidade climática tem sido um desafio constante para os seringueiros.
Em Rancharia (SP), o produtor Paulo Mellotti, que possui 36 hectares de seringueiras em produção, também enfrenta problemas similares. “A própria sangria fica comprometida quando a árvore está molhada, pois o corte não é recomendado nessas condições”, complementa Mellotti.
A pesquisadora Elaine Tucci Gonçalves destaca que, além das perdas diretas do látex já coletado, o excesso de umidade pode afetar a saúde das árvores a longo prazo. “Mudanças no manejo são necessárias, como o uso de protetores nas árvores e ajustes no cronograma de extração para minimizar os prejuízos”, recomenda.
O cenário é preocupante para um setor que vinha apresentando crescimento. Em 2025, o cultivo da borracha natural avançou quase 9% em todo o estado de São Paulo, com o valor da produção agropecuária ultrapassando R$ 1,5 bilhão, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA).
Além dos desafios climáticos, os produtores ainda enfrentam oscilações no preço pago pelo quilo do látex e aumento nos custos de insumos como fertilizantes, defensivos agrícolas e diesel.
Apesar das adversidades, os seringueiros mantêm a esperança de recuperação, aproveitando as primeiras horas do dia – quando o calor do sol é mais ameno – para realizar a sangria e tentar minimizar os impactos das chuvas intensas que têm marcado esta safra.