A China e o México anunciaram recentemente a criação de cotas para limitar a importação de carne bovina. A medida pode impactar o Brasil, maior exportador mundial do produto, que tem ambos os países entre seus principais clientes.

O que mudou nas importações?

China: Em 2026, o Brasil poderá exportar até 1,1 milhão de toneladas pagando a taxa de importação atual de 12%. Volumes que excederem esse limite estarão sujeitos a uma sobretaxa de 55%. Em 2025, o país asiático comprou cerca de 1,6 milhão de toneladas do Brasil.

México: Empresas mexicanas poderão adquirir até 70 mil toneladas de carne bovina do exterior sem tarifa. Acima desse volume, será aplicada uma taxa de 20%. Até o anúncio, não havia imposto. O México importou 113 mil toneladas do Brasil em 2025.

Impactos para o Brasil: queda nas exportações não é certa

Analistas apontam que a cota chinesa, cerca de 600 mil toneladas abaixo do volume exportado em 2025, é a medida mais preocupante. No entanto, ela aumentará gradualmente ao longo de três anos.

Especialistas destacam que a carne brasileira mantém preço competitivo e que a China pode não conseguir suprir sua demanda apenas com a produção doméstica, o que poderia até gerar inflação no país asiático. No México, a redução dos rebanhos devido a problemas sanitários, como a bicheira do Novo Mundo, pode manter a necessidade de importação.

Para onde pode ir a carne brasileira?

Caso haja desvio de vendas, potenciais destinos incluem:

  • Estados Unidos: Com a suspensão do “tarifaço”, alta dos preços internos e menor produção, os EUA são um mercado promissor.
  • Outros países: Países como Uruguai e Argentina, que também são exportadores, têm aumentado as compras para atender seu mercado interno.
  • Novos mercados: Há expectativa de abertura para o Japão, mas as compras iniciais devem ser cautelosas. Ampliar mercados já consumidores, como as Filipinas, é outra estratégia.

O governo brasileiro também pode negociar com outros exportadores para absorver parte de suas cotas chinesas.

E os preços no Brasil em 2026?

A expectativa é de que os preços da carne se mantenham elevados, influenciados por:

  • Ciclo pecuário: A fase atual é de alta, com pecuaristas retendo fêmeas para reprodução, reduzindo a oferta de animais para abate.
  • Demanda interna: Eventos como eleições e a Copa do Mundo devem manter o consumo aquecido.
  • Dinâmica das exportações: Mesmo com as cotas, as vendas para a China devem permanecer em volumes significativos, e eventuais excedentes podem ser realocados.

Portanto, a combinação de oferta doméstica ajustada e demanda firme, tanto interna quanto externa, sugere a manutenção de preços elevados no mercado brasileiro.

Fonte: G1 Agronegócios