O governo chinês fez um apelo formal aos Estados Unidos para que revogue imediatamente as tarifas de importação aumentadas pelo presidente Donald Trump, numa reação direta à recente decisão da Suprema Corte norte-americana que considerou parte da política tarifária do ex-presidente como um excesso de autoridade.

Num comunicado oficial, o Ministério do Comércio da China afirmou que as tarifas “violam as regras do comércio internacional e a legislação interna dos EUA, e não servem aos interesses de nenhuma das partes”. A pasta acrescentou que está a realizar uma “avaliação completa” do caso e que notou que os EUA planeiam manter as tarifas sobre parceiros comerciais por outros meios, incluindo investigações comerciais.

“A China continuará a acompanhar de perto esta situação e defenderá firmemente os seus interesses”, declarou o ministério.

Decisão Judicial e Reação de Trump

A posição chinesa surge após a Suprema Corte dos EUA decidir, numa sentença liderada pelo presidente do tribunal John Roberts, que Trump necessitava de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o aumento massivo de tarifas, conhecido como “tarifaço”. A decisão confirmou uma instância inferior que concluiu que o ex-presidente extrapolou sua autoridade ao usar a Lei de Poderes Económicos Internacionais de Emergência (IEEPA) de 1977.

Em resposta, Trump anunciou numa publicação na sua rede social Truth Social a elevação imediata da tarifa global de importação de 10% para 15%, alegando que a medida é legal e permitida pelos instrumentos jurídicos existentes. Segundo ele, o objetivo é corrigir “décadas de práticas comerciais injustas” que prejudicaram a economia americana, reforçando que faz parte da estratégia de “tornar a América grande novamente”.

Num encontro com governadores estaduais, Trump classificou a decisão da Suprema Corte como “uma vergonha” e afirmou já ter um “plano B” para manter as taxas sobre produtos importados.

Contexto e Implicações

O caso chegou à mais alta instância judicial norte-americana através de recursos do governo Trump, após uma ação movida em meados de 2025 por empresas impactadas e por 12 estados, maioritariamente governados por democratas. A disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo permanece um dos pontos de maior tensão nas relações bilaterais, com implicações significativas para o comércio global.