O diretor do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) da Argentina, Marco Lavagna, apresentou a sua renúncia esta segunda-feira, apenas oito dias antes da divulgação do primeiro índice de inflação calculado com uma nova metodologia. Lavagna ocupava o cargo desde 2019.
A saída do economista, considerado próximo do líder da oposição peronista Sergio Massa, foi classificada como “extremamente surpreendente” por representantes dos trabalhadores da instituição. “Exigimos um Indec independente do poder político”, declarou Raúl Llaneza ao jornal La Nación.
Lavagna comandou a transição para um novo sistema de cálculo da inflação, que será baseado na pesquisa de renda e gastos das famílias de 2017-2018 e seguirá recomendações internacionais. A metodologia anterior, em vigor desde 2004, não considerava despesas com serviços modernos como telefonia móvel, internet ou TV a cabo.
A sua permanência à frente do Indec após a posse do presidente Javier Milei, em dezembro de 2023, foi vista como um marco de transparência. Durante o seu mandato, a inflação anual recuou de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025, o nível mais baixo em oito anos.
No entanto, os últimos dados de dezembro, ainda com a metodologia antiga, mostraram uma alta de 2,8% nos preços, continuando uma tendência ascendente iniciada em junho. O primeiro índice com as novas regras está previsto para 10 de fevereiro.
Os motivos da renúncia não foram oficialmente divulgados. O episódio ocorre após várias demissões no Indec no final de 2025, em meio a conflitos relacionados a baixos salários.