A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, sofreu uma baixa de peso nesta quarta-feira (21). O advogado Walfrido Warde, conhecido por sua posição contrária a acordos de colaboração premiada, deixou a equipe que representa o empresário. A informação foi confirmada pelo próprio profissional ao blog.

Em meio ao agravamento da situação judicial de Vorcaro, a saída de Warde é interpretada nos bastidores como um forte indício de que a possibilidade de uma delação do banqueiro está sendo seriamente considerada. A decisão do advogado, que é contra essa estratégia, mexe com as estruturas do caso e deixa muitos envolvidos em alerta.

Em nota, a defesa de Vorcaro nega “com veemência a existência de qualquer proposta ou negociação de delação premiada”. Os advogados afirmam que o banqueiro reafirma sua inocência e continua colaborando com as autoridades dentro dos limites legais.

Investigações avançam sobre a família

As investigações da Polícia Federal avançam sobre o núcleo familiar de Vorcaro. Na última semana, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra o banqueiro, seu pai, sua irmã e seu cunhado. As apurações indicam um esquema de captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus familiares.

Entre os bens apreendidos estão o celular do banqueiro, carros importados, relógios de luxo e cerca de R$ 100 mil em espécie encontrados na casa onde ele cumpre prisão domiciliar.

O escândalo do Banco Master

O caso do Master eclodiu como um dos maiores escândalos financeiros do país no fim de 2025. O banco foi liquidado pelo Banco Central em novembro, após a descoberta de uma fraude bilionária envolvendo o BRB (Banco de Brasília). O BC constatou que a instituição não tinha condições de honrar seus compromissos.

Daniel Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos (SP) quando tentava deixar o país e, após 12 dias, foi liberado para cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Disputa institucional e alcance nacional

O caso transcende as esferas criminal e financeira, gerando uma disputa institucional. A liquidação do Master pelo BC foi questionada, levando o Tribunal de Contas da União (TCU) a determinar uma inspeção nos documentos do processo. Paralelamente, o BC sofreu ataques cibernéticos, e a PF investiga pagamentos milionários a influenciadores digitais para desacreditar a autarquia.

O processo chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Dias Toffoli, relator do caso, determinou sigilo sobre os autos e restringiu o acesso às provas da segunda fase da investigação a apenas quatro peritos.