O caso Master, que investiga fraudes financeiras bilionárias, entrou em uma fase crítica que ameaça abalar as estruturas do Supremo Tribunal Federal (STF). Investigadores da Polícia Federal (PF) apuram indícios de pagamentos ao ministro Dias Toffoli, relator do inquérito, ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A situação levou a maioria dos ministros da Corte a considerar inviável a permanência de Toffoli na relatoria do processo.

A crise se intensificou após a PF entregar ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, um relatório pericial do celular de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025. O material contém menções a Toffoli em diálogos e mensagens, cujo conteúdo não foi detalhado publicamente. Ao encaminhar o documento, a PF citou artigo da Lei Orgânica da Magistratura que trata de indícios de crimes cometidos por magistrados, obrigando a remessa dos autos ao tribunal competente.

Em nota, Toffoli negou qualquer relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro. O ministro reconheceu, no entanto, que seus irmãos, José Carlos e José Eugênio, são sócios da empresa Maridt Participações, que em 2021 vendeu parte de suas cotas no resort Tayayá (PR) por mais de R$ 3 milhões para o fundo Arleen. Este fundo é controlado pela Reag, administradora de investimentos ligada ao esquema fraudulento do Banco Master, conforme apontado pelo Banco Central.

Nos bastidores do STF, a permanência de Toffoli na relatoria é vista como insustentável. Ministros avaliam que, mesmo que ele apresente explicações e sustente a legalidade dos negócios familiares, o ponto sensível persiste: como justificar a situação tendo recebido recursos ligados a uma instituição que ele mesmo investiga? A leitura predominante é de que o caso agora está concentrado nas mãos do presidente Fachin e da Procuradoria-Geral da República (PGR), que devem definir os próximos passos.

A expectativa de Toffoli, segundo avaliações internas, seria obter da PGR um “atestado de legalidade” semelhante ao concedido ao ministro Alexandre de Moraes em dezembro de 2025, quando o procurador-geral Paulo Gonet arquivou pedido de investigação sobre contrato da esposa de Moraes com o Master.

O inquérito do Master foi parar no STF por determinação do próprio Toffoli, após pedido dos advogados de Vorcaro. Desde que assumiu o caso, o ministro decretou sigilo absoluto, marcou acareações, reclamou da atuação da PF e escolheu peritos da corporação para analisar material. Agora, as investigações que ele relata podem definir seu próprio destino na Corte.