O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que há uma tentativa de criar uma “cortina de fumaça” no inquérito do caso Master, mas a Polícia Federal (PF) e o Banco Central (BC) não recuarão e levarão as investigações até o fim, segundo assessores presidenciais.

De acordo com essas fontes, investigados estariam buscando criar um clima de ameaça contra o governo e o Centrão para tentar paralisar ou tumultuar as apurações. Nos últimos dias, circularam informações sobre a contratação do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski como consultor do banco Master e sobre uma reunião entre o presidente Lula e Daniel Vorcaro, dono do banco.

Embora confirmadas, as informações não interferiram nas investigações em curso. Durante o governo atual, o BC proibiu a venda do Master para o BRB e, posteriormente, decretou a liquidação do banco. A PF, por sua vez, realizou duas operações contra a instituição, uma das quais resultou na prisão de Vorcaro, posteriormente liberado com medidas cautelares.

“Não vai ser agora que será feito qualquer movimento para segurar as investigações diante das informações que estão sendo divulgadas sobre envolvimento de políticos com Vorcaro”, afirmou um assessor presidencial. A PF seguirá com o inquérito, independentemente da instância em que esteja tramitando – Supremo Tribunal Federal (STF) ou Justiça Federal.

O caso gerou uma crise de imagem no STF após o relator do processo, ministro Dias Toffoli, adotar uma série de medidas vistas como tentativas de controlar as investigações. Posteriormente, veio à tona que irmãos de Toffoli venderam uma participação em um resort para um fundo ligado ao Master.

Antes disso, houve uma operação para desacreditar o Banco Central e paralisar as investigações, com envolvimento do Tribunal de Contas da União (TCU). Atualmente, o foco tem sido políticos e ex-ministros contratados pelo Master para atuar em Brasília em defesa do banco e de Vorcaro.