A Polícia Federal (PF) adiou três depoimentos de investigados no inquérito que apura supostas irregularidades na proposta de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Com as desmarcações, apenas Luiz Antonio Bull, ex-diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master, foi ouvido nesta terça-feira (27).
Inicialmente, Bull seria ouvido presencialmente no Supremo Tribunal Federal (STF), mas optou por prestar depoimento de forma virtual. A sessão teve início por volta das 10h14 e terminou às 10h39.
Segundo seu advogado, Augusto Botelho, Bull respondeu a todas as perguntas feitas pela autoridade policial, pelo Ministério Público e pelo juiz-instrutor do STF. “O senhor Luiz Bull sempre esteve e continuará à disposição das autoridades”, afirmou o defensor.
De acordo com informações de advogados, a PF consultou os investigados sobre a disposição para depor. Como as defesas alegaram não ter tido acesso a todos os documentos do processo e que, portanto, seus clientes poderiam não prestar esclarecimentos completos, a delegada responsável teria cancelado a programação.
Além de Bull, estavam previstos para esta terça os depoimentos de:
- Robério Cesar Bonfim Mangueira, ex-superintendente de Operações Financeiras do BRB;
- Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master;
- Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master.
Na segunda-feira (26), a PF já havia enfrentado transtornos durante os depoimentos. O diretor de Finanças e Controladoria do BRB, Dário Oswaldo Garcia Junior, foi ouvido por uma hora. Já o superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master, Alberto Felix de Oliveira, após declarar que não tinha poder de gestão para assinar contratos, invocou o direito de permanecer calado e não respondeu às perguntas.
As defesas de outros dois investigados – André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza e Silva Peretto – também pediram adiamento, alegando falta de acesso ao inquérito.
Os depoimentos são cruciais para os desdobramentos do caso. Se as investigações e as provas já reunidas implicarem pessoas com foro privilegiado, o inquérito deve permanecer no STF. Caso contrário, os investigadores podem solicitar que parte da apuração retorne à primeira instância da Justiça, dependendo do aval do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo.