A Polícia Federal (PF) realizou uma acareação nesta terça-feira (30) entre o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. O objetivo foi confrontar eventuais contradições nos depoimentos prestados por ambos anteriormente. O diretor do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, também foi ouvido pelos investigadores, mas foi dispensado da acareação.

As oitivas foram conduzidas pela delegada responsável pelo caso, Janaína Palazzo, e todo o procedimento foi acompanhado por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e por um representante do Ministério Público.

Daniel Vorcaro, que chegou a ser preso durante as investigações, desembarcou em Brasília na manhã desta terça e seguiu para o STF, onde o veículo em que estava adentrou pela garagem do prédio.

O que está sendo investigado

As investigações do Caso Master, iniciadas em 2024 na Justiça Federal, apuram suspeitas de que o Banco Master não teria recursos suficientes para honrar títulos com vencimento em 2025. A apuração indica que o banco adquiriu créditos de uma empresa chamada Tirreno sem efetuar o pagamento e, posteriormente, vendeu esses ativos ao BRB, que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões.

Diante da situação, o Banco Central rejeitou a proposta de compra do Master pelo BRB e decretou a liquidação da instituição em novembro, citando, entre outros motivos, a falta de capital para cumprir seus compromissos financeiros.

Negociações e posições divergentes

Vorcaro e Paulo Henrique Costa participaram conjuntamente das tratativas para a venda do Banco Master ao BRB, banco público do governo do Distrito Federal. Antes de ser exonerado do comando do BRB, após investigações da PF sobre fraudes bancárias, Costa defendia a aquisição do Master como uma solução para a crise da instituição.

Já o diretor do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, não é alvo das investigações – ao contrário de Vorcaro e Costa. Ele atuou na análise técnica das alternativas para o Master, que incluíam aporte de recursos, troca de diretoria, venda e, por fim, a liquidação.

De acordo com a apuração, como as etapas anteriores não avançaram, a Diretoria de Fiscalização do BC recomendou a liquidação. A venda do Master ao BRB foi vetada pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, comandada por Renato Gomes. A decisão final foi tomada pela diretoria colegiada do BC, que aprovou a liquidação por unanimidade.

Fonte: G1