O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso novamente pela Polícia Federal em São Paulo, em uma operação que desmantelou um esquema criminoso de alta complexidade. A investigação, denominada Compliance Zero, apura fraudes financeiras bilionárias, a manutenção de uma milícia privada para intimidação e espionagem, e a corrupção de servidores do Banco Central.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou as prisões preventivas, fundamentando a decisão na necessidade de garantir a ordem pública e econômica, evitar a destruição de provas e coação de testemunhas. A prisão de Vorcaro ocorre após a PF identificar a continuidade de condutas ilícitas mesmo após sua soltura anterior, em 2025.

Os principais alvos da operação

  • Daniel Bueno Vorcaro: Controlador do Banco Master, apontado como líder da organização criminosa.
  • Fabiano Campos Zettel: Cunhado e operador financeiro de Vorcaro, responsável por intermediar pagamentos e lavar dinheiro.
  • Luiz Phillipi Machado De Moraes Mourão (“Sicário”): Líder operacional da milícia privada conhecida como “A Turma”.
  • Marilson Roseno Da Silva: Policial federal aposentado que integrava a estrutura de monitoramento e intimidação.

Outros investigados, incluindo servidores do Banco Central, foram alvo de medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contato com outros envolvidos.

A milícia privada “A Turma”

A PF descreve “A Turma” como um núcleo de intimidação e obstrução da justiça a serviço de Vorcaro. Seu modus operandi incluía:

  • Obtenção ilegal de dados: Acesso a sistemas sigilosos da PF, MPF, FBI e Interpol usando credenciais de terceiros.
  • Monitoramento e vigilância: Acompanhamento presencial e digital de autoridades, jornalistas e ex-funcionários.
  • Violência e coação: Planos para agredir fisicamente o jornalista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”, com ordens para “quebrar todos os dentes”. Intimidação de ex-colaboradores do banco.
  • Atuação digital: Simulação de solicitações oficiais para remover conteúdos críticos na internet.

Segundo a investigação, o líder operacional Luiz Phillipi recebia cerca de R$ 1 milhão por mês de Vorcaro para custear as atividades do grupo.

Corrupção no Banco Central

A operação revelou um esquema de cooptação de servidores do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana. Eles atuavam como “consultores informais” para Vorcaro, fornecendo:

  • Orientações sobre como se portar em reuniões com a presidência do BC.
  • Revisão prévia de documentos que o Banco Master enviaria ao órgão regulador.
  • Antecipação de informações sensíveis sobre movimentações financeiras monitoradas pelo BC.

Em troca, recebiam vantagens indevidas. Belline tinha propostas de contratação simulada, enquanto Paulo Sérgio teve uma viagem familiar para a Disney e Universal em Orlando custeada por Vorcaro, em um esquema de lavagem de dinheiro.

Ocultação patrimonial bilionária

Após ser solto, Vorcaro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro. A defesa do pai nega a titularidade da conta. A PF contrasta essa ocultação com o rombo de quase R$ 40 bilhões deixado pelo Banco Master no mercado, atualmente coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A investigação segue apurando a extensão total do esquema, que envolve risco de fuga, dilapidação de patrimônio no exterior e um padrão de reiteração criminosa.