O Banco Central (BC) informou que identificou indícios de percepção de vantagens indevidas por dois servidores de seu quadro permanente durante revisão interna dos processos de fiscalização e liquidação do Banco Master. A instituição afirmou que os afastou cautelarmente do exercício de seus cargos e do acesso às dependências e sistemas, instaurou procedimentos correcionais e comunicou os indícios à Polícia Federal (PF).

Os servidores são Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de fiscalização do BC, e Bellini Santana, ex-chefe de departamento da área de supervisão bancária. Eles são investigados por suspeita de atuação inadequada na supervisão do Master antes da liquidação do banco, ocorrida no fim de 2025.

Na decisão que autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça descreveu os funcionários como uma espécie de consultores privados que trabalhavam para o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na operação. Segundo as investigações, os servidores davam orientações estratégicas sobre processos do BC que envolviam o Master, revisavam documentos enviados pela instituição ao órgão, vazavam informações para antecipação a medidas regulatórias, usavam influência interna para favorecer o banco e recebiam vantagens indevidas em troca dos serviços.

Além do afastamento, Mendonça determinou que os funcionários sejam proibidos de acessar as dependências do BC, usem tornozeleira eletrônica, não mantenham contato com outros investigados e entreguem seus passaportes à PF. As defesas dos servidores não foram localizadas para comentar.

A terceira fase da Operação Compliance Zero apura um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, incluindo venda de títulos de crédito falsos, lavagem de dinheiro e corrupção. Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, segundo a PF. Além de Vorcaro, há mandado contra seu cunhado, Fabiano Zettel. Outros dois alvos de prisão não tiveram os nomes divulgados.

Em nota, o BC declarou sua convicção de que o trabalho da PF representa um passo essencial para o pleno esclarecimento dos fatos e que, observado o devido processo legal, as condutas infracionais identificadas receberão a devida resposta sancionatória.