Os advogados de defesa de Chiquinho e Domingos Brazão, acusados de serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco, acreditam na inocência dos seus clientes, mas consideram certa a condenação dos irmãos. O julgamento pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) está marcado para esta terça-feira (24).

Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, foram executados a tiros na noite de 14 de março de 2018, no centro do Rio de Janeiro, após um evento na Lapa. A assessora Fernanda Chaves, que também estava no carro, sobreviveu ao ataque.

Além dos irmãos Brazão, serão julgados outros três acusados: Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, ex-chefe da Polícia Civil do Rio; o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira; e o policial militar Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), os irmãos Brazão foram os mandantes do crime, motivado pela atuação política de Marielle, que supostamente atrapalhava interesses dos acusados, incluindo a regularização de áreas controladas por milícias na Zona Oeste do Rio. Rivaldo Barbosa é acusado de ter auxiliado no planejamento, Ronald Paulo de ter seguido a vereadora, e Robson Calixto de integrar a organização criminosa.

O ponto crucial do processo é a delação premiada do ex-policial militar Ronnie Lessa, autor confesso dos disparos que mataram Marielle e Anderson. A acusação contra Rivaldo Barbosa se baseia quase exclusivamente neste depoimento, levantando dúvidas sobre a robustez probatória. A Delegacia de Homicídios, então chefiada por Rivaldo, nunca identificou os executores Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz durante as investigações iniciais.

Todos os cinco réus estão presos preventivamente desde março de 2024. Em abril de 2025, Chiquinho Brazão conseguiu o direito de cumprir a prisão domiciliar devido a problemas de saúde graves. Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, os executores materiais, já foram condenados e presos em 2019.

Ao longo do processo, as defesas negaram veementemente a participação dos acusados, apontaram supostas falhas processuais e argumentaram a ausência de provas concretas que os liguem diretamente ao assassinato.