O café foi o item da cesta básica que mais encareceu em 2025, de acordo com um levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). A expectativa é de que os preços se mantenham elevados em 2026, mesmo com a perspectiva de uma boa safra, pois a produção será prioritariamente destinada à recomposição dos estoques mundiais, que estão em níveis críticos.
O faturamento do setor de café torrado cresceu 25,6% em 2025, alcançando R$ 46,24 bilhões, impulsionado pelo aumento dos preços ao consumidor. Nos últimos cinco anos, o valor para o consumidor subiu 116%, enquanto o custo da matéria-prima para a indústria, no caso do arábica, disparou 212%.
Esta disparidade é resultado de uma série de fatores adversos, incluindo problemas climáticos severos (como geadas e secas) que reduziram a oferta global por quatro anos consecutivos, e a imposição de tarifas de 50% pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro, que impactaram as cotações internacionais.
Como consequência dos preços altos, o consumo interno registrou uma queda de 2,31% em 2025. No entanto, a indústria avalia que a demanda brasileira pelo produto é resiliente e se manteve relativamente estável diante dos aumentos expressivos.
Perspectivas para 2026: Estabilidade sem barateamento
Para 2026, a expectativa é de uma boa safra, beneficiada por condições climáticas mais favoráveis associadas ao fenômeno La Niña. Contudo, especialistas da Abic alertam que seriam necessárias pelo menos duas safras abundantes consecutivas para pressionar os preços para baixo de forma significativa.
No curto prazo, o foco da indústria será recompor os estoques esvaziados. Ainda assim, uma maior disponibilidade de grãos pode levar a uma menor volatilidade de preços e abrir espaço para promoções pontuais no varejo, o que pode estimular uma recuperação no consumo.
Indícios dessa tendência já foram observados em dezembro de 2025, quando o café tradicional extraforte e o café em cápsulas registraram quedas de 7,1% e 13,2%, respectivamente, em relação ao mês anterior, refletindo um repasse parcial da queda nos custos da matéria-prima.
Em resumo, enquanto a pressão inflacionária sobre o café deve arrefecer, os consumidores não devem esperar um retorno aos patamares de preços baixos no próximo ano, mantendo o produto em um patamar elevado na cesta básica.