As retiradas superaram os depósitos na caderneta de poupança em R$ 23,5 bilhões no primeiro mês de 2026, conforme dados divulgados pelo Banco Central. Em janeiro, os depósitos somaram R$ 331,23 bilhões, enquanto as retiças totalizaram R$ 354,74 bilhões.
Com esse movimento, o saldo total aplicado na poupança recuou de R$ 1,02 trilhão em dezembro para R$ 1 trilhão no fim de janeiro. Esse padrão de saída expressiva de recursos no início do ano é recorrente, observado também em 2023, 2024 e 2025, e está associado aos gastos tradicionais do período, como matrículas escolares, IPVA, IPTU, parcelas de compras de Natal e viagens de férias.
O cenário é agravado pelo alto endividamento das famílias e pela inadimplência recorde, em um momento em que os juros básicos estão no maior patamar em cerca de 20 anos. Paralelamente, a poupança perde competitividade frente a outras aplicações. Investimentos em renda fixa, como títulos públicos e CDI, têm performado melhor, e a renda variável, representada pela Bolsa de Valores, apresentou forte recuperação em 2025.
Com a Selic atualmente em 15% ao ano, bem acima do patamar de 8,5%, o rendimento da poupança está limitado a 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), tornando-a menos atrativa para o investidor.