Um parecer interno do Banco de Brasília (BRB), elaborado pela Associação de Advogados da instituição, afirma que a liquidez do banco está “preservada”, mas alerta para a necessidade urgente de incremento de capital. O documento, ao qual o g1 teve acesso, recomenda a aprovação pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) do projeto de lei que autoriza o uso de nove imóveis públicos para recapitalizar o banco.
“Trata-se menos de ‘salvar’ o BRB e mais de proteger e capitalizar um ativo público rentável e essencial ao DF — preservando empregos, empresas e programas sociais — contra um evento extraordinário, com salvaguardas robustas e fiscalização contínua”, destaca a nota técnica.
O parecer ressalta que “o banco mantém liquidez para honrar compromissos de curto prazo e operar normalmente”. No entanto, sem a recomposição dos níveis prudenciais de capital, não descarta o pior cenário: a liquidação da instituição pelo Banco Central.
Pressão pela votação e resistência política
O governo de Ibaneis Rocha (MDB) tem pressa para votar o projeto, de autoria do próprio governador. A expectativa era que a matéria fosse aprovada ainda em fevereiro. Quanto maior o atraso, mais difíceis ficam as condições para o BRB captar recursos no mercado.
Entretanto, deputados de oposição e até aliados do governador vêm demonstrando resistência. Para a oposição, o projeto é visto como uma manobra para “salvar o calendário eleitoral” de Ibaneis e seus aliados, e não o patrimônio do banco. O texto é considerado um “teste” para medir o quanto o escândalo do Banco Master abalou o apoio político ao governador.
Assembleia de acionistas e plano de capitalização
Enquanto aguarda o aval da CLDF, o BRB já convocou uma assembleia de acionistas para o dia 18 de março. A proposta é emitir até 1,67 bilhão de novas ações ordinárias para captar recursos. Com essa operação, o banco espera aumentar seu capital social em, no mínimo, R$ 529 milhões e, no máximo, R$ 8,86 bilhões.
Atualmente, o capital social do BRB é de R$ 2,34 bilhões. Se atingir o montante máximo, saltaria para R$ 11,2 bilhões, um valor quase quatro vezes maior.
Contexto: a exposição ao Banco Master
A necessidade de capital surge após o BRB injetar R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025. Desse total, a Polícia Federal aponta que pelo menos R$ 12,2 bilhões envolvem operações com fortes indícios de fraude. O Ministério Público Federal identificou “indícios de participação consciente dos dirigentes do BRB no suposto esquema fraudulento”.
A tentativa de compra do Master, apoiada por Ibaneis Rocha, foi barrada pelo Banco Central. A atual gestão do BRB, sob o comando de Nelson Antônio de Souza — que assumiu após a operação Compliance Zero mirar o então presidente Paulo Henrique Costa —, segue investigando a situação interna junto a uma auditoria independente.
No início de fevereiro, o BRB entregou ao BC um “plano preventivo” sob sigilo com medidas para recompor o patrimônio e evitar o descumprimento de regras de solidez.