O Banco de Brasília (BRB) tem até esta sexta-feira (5) para apresentar ao Banco Central um plano detalhado de ações para reforçar seu balanço patrimonial em pelo menos R$ 5 bilhões. O objetivo é restaurar a solidez financeira da instituição após transações problemáticas com o extinto Banco Master.

Se aprovado pelo BC, o plano deverá ser executado em um prazo máximo de seis meses. A medida visa garantir a estabilidade do banco e manter a confiança do mercado, evitando abalos à sua credibilidade.

Contexto da crise

A necessidade de recapitalização surge após o BRB injetar bilhões de reais no Banco Master entre 2024 e 2025. Investigações revelaram que o BRB adquiriu carteiras de crédito do Master por R$ 12,2 bilhões, enquanto o próprio Master as havia comprado por apenas R$ 6,7 milhões de outra instituição – sem sequer ter quitado o pagamento.

Essas operações, consideradas “inconsistências” pelos reguladores, fragilizaram significativamente o balanço do BRB. O Ministério Público identificou indícios de gestão fraudulenta, especialmente em relação a cerca de R$ 12 bilhões destinados a carteiras de crédito consideradas “podres” e sem garantias adequadas.

Impacto e perspectivas

Especialistas consultados destacam que não há risco iminente de falência ou liquidação do BRB, uma vez que seu controlador é o governo do Distrito Federal, que possui patrimônio suficiente para socorrer a instituição se necessário. O GDF detém 71,92% do capital do banco.

Mesmo assim, a recomposição de capital é essencial para que o BRB continue cumprindo as regras mínimas de solidez e segurança exigidas pela legislação bancária brasileira. O governo do DF já sinalizou disposição para realizar aportes que cubram os prejuízos decorrentes das operações com o Master.

Investigações em andamento

A Polícia Federal mantém inquérito ativo para investigar suspeitas de gestão fraudulenta no BRB. Paralelamente, o banco afirma ter entregue à PF e ao BC um relatório com “achados relevantes” de auditoria interna sobre as transações com o Banco Master.

O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado após identificar profunda crise de liquidez, com insuficiência de recursos para honrar compromissos com clientes e investidores.