O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, viaja a São Paulo nesta quarta-feira (4) para negociar pessoalmente a venda de carteiras de crédito adquiridas do Banco Master. A negociação ocorrerá na Faria Lima, centro financeiro da capital paulista, com players do mercado interessados em ativos que o BRB não pretende manter em seu portfólio.

Entre os ativos em oferta está um terreno de alto valor localizado próximo à região da Cidade Jardim, em São Paulo, além de imóveis, restaurantes e outros bens. O objetivo da venda é recompor o caixa do banco e reduzir a exposição a riscos após a aquisição de créditos considerados de baixa qualidade do Master.

A operação deve atrair principalmente fundos especializados em ativos problemáticos, que costumam adquirir esses papéis com descontos significativos para tentar recuperar parte do valor posteriormente. Bancos e gestoras de crédito também podem demonstrar interesse, focando nos segmentos mais “limpos” da carteira, enquanto os imóveis tendem a chamar a atenção de investidores do setor imobiliário.

O contexto dessa movimentação é a crise envolvendo o Banco Master. O BRB havia adquirido cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master, operação que agora é alvo de um inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga suspeitas de gestão fraudulenta. A PF apura se houve uma aquisição “pulverizada” de ações do BRB por empresários ligados ao Master e à Reag Investimentos, dificultando o rastreamento dos compradores reais.

Anteriormente, o BRB, sob a presidência de Paulo Henrique Costa, chegou a anunciar um acordo para comprar o Banco Master por cerca de R$ 2 bilhões em março de 2025, mas a transação foi vetada pelo Banco Central em setembro do mesmo ano. Paulo Henrique Costa foi afastado e, posteriormente, demitido, sendo substituído por Nelson Antônio de Souza.

Além do inquérito mais amplo sobre o Master, a PF abriu um novo procedimento específico para investigar indícios de práticas de gestão fraudulenta no BRB que vão além da proposta de compra do banco de Daniel Vorcaro. O Banco Central determinou que o BRB constitua uma reserva de R$ 3 bilhões para garantir a segurança de suas operações.