Os países do Mercosul estão a acelerar os processos internos para ratificar o acordo comercial com a União Europeia, numa corrida contra o tempo e entre si para garantir vantagens competitivas.
No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o tratado na noite de quarta-feira (25), após articulação do relator Marcos Pereira com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente da Casa, Hugo Motta. O texto segue agora para o Senado. O governo brasileiro prepara-se para publicar um decreto com medidas de proteção ao agronegócio antes da apreciação final pelos senadores.
O Uruguai também avançou, com o Senado a aprovar por unanimidade, na quarta-feira, o projeto de lei que ratifica o acordo. A matéria segue para a Câmara dos Deputados, onde a votação final está prevista para esta quinta-feira (26).
A Argentina, que já havia aprovado o texto na Câmara dos Deputados em fevereiro, decidiu antecipar para esta quinta-feira a votação definitiva no Senado. O governo de Javier Milei pretende garantir que o país seja o primeiro a aceder às cotas de exportação de produtos agropecuários previstas no acordo, o que lhe daria uma vantagem competitiva sobre o Brasil.
Do lado europeu, o cenário é mais complexo. Embora o Parlamento Europeu tenha enviado o tratado para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia – um processo que pode levar até dois anos –, a Comissão Europeia tem autoridade para aplicar provisoriamente o capítulo comercial enquanto aguarda o parecer jurídico.
Contudo, a tramitação enfrenta resistência política em vários países, como França, Polónia, Irlanda e Áustria, principalmente devido à pressão dos seus agricultores, que temem a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos. Críticas também vêm de organizações ambientalistas e do agronegócio europeu, que argumentam que o tratado poderia incentivar práticas prejudiciais ao meio ambiente e à produção local. Por outro lado, Alemanha, Espanha e Portugal veem mais oportunidades do que perdas no estreitamento do comércio.
Assinado em janeiro de 2026, após mais de 25 anos de negociações, o acordo prevê a redução gradual de tarifas, regras comuns para o comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, que reunirá um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.