A possibilidade de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a países que mantêm comércio com o Irã representa uma ameaça concreta para o Brasil, que possui um superávit comercial de quase US$ 3 bilhões com o país do Oriente Médio. A análise é da jornalista Miriam Leitão, em comentário no Bom Dia Brasil.

Segundo a jornalista, o Irã é um parceiro crucial para as exportações do agronegócio brasileiro. Enquanto as importações do Brasil vindas do Irã somam menos de US$ 100 milhões, as exportações brasileiras para lá atingem cerca de US$ 2,9 bilhões, criando uma balança comercial amplamente favorável ao Brasil.

O risco surge após declarações do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou aplicar tarifas adicionais de 25% a todos os países que mantiverem relações comerciais com o Irã. Miriam Leitão destacou a falta de clareza sobre a aplicação da medida. “Ele não explicou nada. Só colocou isso na rede social. Está todo mundo esperando para saber se serão os maiores parceiros ou se será todo mundo”, afirmou.

Se a medida for ampla, o Brasil pode ser afetado mesmo sem estar no centro do conflito geopolítico. “Se for todo mundo, o Brasil acaba levando mais um tiro nessa guerra. Como disse a China, ninguém ganha”, avaliou.

O contexto é ainda mais complexo devido à crescente relevância diplomática do Irã para o Brasil, inclusive com a recente aproximação no âmbito dos Brics, bloco do qual o país passou a fazer parte com apoio brasileiro.

Para Miriam Leitão, o ambiente de incerteza no comércio internacional funciona como um “fogo cruzado”, no qual países como o Brasil podem ser atingidos economicamente mesmo ao tentar apenas manter mercados e preservar relações comerciais estratégicas.