O governo brasileiro está a analisar a criação de um sistema de controlo para limitar o volume de carne bovina que cada frigorífico pode exportar para a China. A medida visa evitar uma “corrida desenfreada” e uma competição desigual entre as empresas exportadoras, após a implementação de quotas pelo mercado chinês.
A China estabeleceu, para 2026, uma quota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira que pode ser importada com a taxa habitual de 12%. Qualquer volume que exceda este limite estará sujeito a uma taxa adicional de 55%.
“O receio é de que isso cause uma competição desigual entre as empresas, com alguns frigoríficos a exportar mais que outros”, explicou Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, em entrevista ao g1.
Como funcionaria o sistema de controlo
Uma das propostas em análise é a distribuição proporcional das quotas entre os exportadores, com base no seu desempenho recente de vendas para a China. O sistema incluiria ainda um mecanismo para incluir novos e pequenos exportadores, através de uma reserva técnica específica.
O controlo seria feito via licenças de exportação, com travas automáticas para impedir embarques acima do volume permitido a cada empresa.
Contexto e negociações
A discussão ganhou força após a China ter implementado, em janeiro, limites à importação de carne de vários países, incluindo o Brasil, seu maior fornecedor. O governo brasileiro já solicitou à China que redistribua eventuais sobras de quotas de outros países para aqueles que excederem o seu limite, mas ainda aguarda uma resposta formal.
“Esse tema ainda é inconclusivo. Talvez os chineses queiram primeiro ver como funciona o sistema. Para eles, isso também é novo”, afirmou Rua.
Apesar do novo regime de quotas, a China manteve-se como o principal destino da carne bovina brasileira em janeiro, responsável por cerca de 46% do valor e volume exportados, num recorde histórico para o mês.