O governo brasileiro confirmou sua participação na reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), convocada para debater a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela. O encontro, solicitado pela Colômbia, está marcado para a manhã da próxima segunda-feira (5).

A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, fez o anúncio neste sábado (3), após uma reunião ministerial de emergência. A convocação ocorreu após os EUA atacarem pontos em Caracas e capturarem o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.

De acordo com as regras da ONU, países não membros do Conselho de Segurança podem participar das reuniões, mas sem direito a voto. Atualmente, a Colômbia é a representante da América do Sul no órgão, que tem como membros permanentes China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. A presidência do Conselho em janeiro cabe à Somália.

Além da reunião na ONU, está previsto um encontro a nível ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) no domingo (4).

Posicionamento do governo brasileiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a ação militar como “inaceitável” e uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela”. Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que o ato “abre um precedente perigoso” e representa uma “flagrante violação do direito internacional”, podendo levar a um cenário de “violência, caos e instabilidade”. O presidente defendeu uma resposta vigorosa da comunidade internacional por meio da ONU.

A reunião ministerial que antecedeu o anúncio contou com a presença dos ministros da Defesa, José Múcio; da Casa Civil; da Secretaria de Comunicação Social; e da Justiça e Segurança Pública, além da embaixadora do Brasil em Caracas e representantes das pastas de Relações Institucionais e Exteriores.

Situação na fronteira e segurança de brasileiros

O governo brasileiro informou que não há cidadãos brasileiros entre as possíveis vítimas dos ataques. Pelo menos 100 turistas brasileiros que estavam na Venezuela conseguiram deixar o país sem dificuldades ao longo do dia.

O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que a situação na fronteira com a Venezuela “nunca esteve tão tranquila” e que não há movimentação anormal do lado brasileiro, que permanece aberto. No entanto, a passagem foi fechada pelo governo venezuelano. O Ministério da Justiça declarou que se prepara para um eventual aumento no fluxo de refugiados.

Desdobramentos internacionais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ainda decide sobre o futuro da Venezuela e que Maduro e sua esposa estão a caminho de Nova York a bordo de um navio da Marinha norte-americana. Trump também declarou que os EUA passarão a estar “fortemente envolvidos” com a indústria petrolífera venezuelana, garantindo que a China “continuará recebendo petróleo”.

Fonte: G1