O governo federal resgatou 2.772 pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão no Brasil em 2025, conforme dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT). O número representa um aumento de 26,8% em relação a 2024, quando 2.186 trabalhadores foram encontrados nessas condições. O recorde histórico, no entanto, permanece sendo o de 2007, com 6.025 resgates.

As ações fiscais totalizaram 1.594 operações específicas contra o trabalho escravo contemporâneo, resultando no pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias e na aplicação de R$ 41,8 milhões em multas. As fiscalizações alcançaram mais de 48 mil trabalhadores em todo o território nacional.

Um dado relevante de 2025 foi a mudança no perfil das ocorrências: pela primeira vez, o número de resgates em áreas urbanas (68%) superou os do meio rural. Os setores com maior número de trabalhadores resgatados foram obras de alvenaria (601), administração pública (304), construção de edifícios (186), cultivo de café (184) e extração de pedras (126).

O perfil social das vítimas mostra que 86% eram homens, 83% se autodeclararam pretos ou pardos, 65% residiam no Nordeste e a faixa etária mais frequente foi de 30 a 39 anos (26% dos casos). Quanto à escolaridade, 24% tinham ensino médio completo, enquanto 8% eram analfabetos.

As irregularidades mais comuns incluíram trabalho em condições degradantes (274 registros), falta de registro formal (149), ambiente de trabalho inseguro (141), descumprimento de exames médicos (118), ausência de EPIs (107) e omissão de comunicação ao governo (94).

Em 2025, o Brasil também registrou o maior número de denúncias da série histórica: 4.515 registros, incluindo casos de trabalho escravo infantil. Todo trabalhador resgatado tem direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado (SDTR), pago em três parcelas de um salário mínimo, além de ser encaminhado à rede de assistência social.

Denúncias podem ser feitas anonimamente pelo Sistema Ipê, na internet. A erradicação do trabalho escravo no Brasil depende de ação articulada do Estado com a sociedade civil, envolvendo políticas sociais, educacionais, de saúde e de geração de emprego.