O governo brasileiro decidiu não aderir à aliança proposta pelos Estados Unidos para controle de minerais críticos e terras raras, mantendo sua estratégia de diversificação de parcerias internacionais. A posição foi confirmada por auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os minerais críticos são recursos essenciais para tecnologias avançadas, incluindo componentes eletrônicos e sistemas de energia renovável, desempenhando papel fundamental na transição energética global.

O tema será abordado durante o encontro entre Lula e o presidente norte-americano Donald Trump, marcado para março na Casa Branca. Segundo avaliação do governo brasileiro, a decisão não afetará as relações diplomáticas entre os dois países.

Na quarta-feira (4), os Estados Unidos convocaram 54 países e a União Europeia para apresentar a proposta de criação de um bloco comercial destinado a controlar a produção, refino e preços desses minerais, com o objetivo de reduzir a dominância chinesa no mercado.

O Brasil participou do encontro através de um diplomata de nível intermediário lotado na embaixada em Washington, sinalizando desde o início sua relutância em aderir ao pacto. Fontes do Palácio do Planalto descrevem a proposta norte-americana como uma “camisa de força” que atenderia principalmente aos interesses dos EUA.

Com a segunda maior reserva mundial de minerais críticos e terras raras, atrás apenas da China, o Brasil busca dominar todo o ciclo de processamento desses recursos. O governo rejeita a ideia de se tornar mero fornecedor de matéria-prima ou reserva estratégica para outros países.

A cautela brasileira reflete lições aprendidas com experiências passadas em que o país exportou recursos naturais sem agregar valor através do processamento industrial. A estratégia nacional prioriza o desenvolvimento da cadeia produtiva completa em território nacional.

Contrariando a abordagem exclusivista proposta pelos EUA, o Brasil mantém sua política de universalidade nas relações internacionais, negociando simultaneamente com múltiplos parceiros. O país segue disposto a estabelecer acordos bilaterais com Estados Unidos, União Europeia, China e Índia.

O tema dos minerais críticos será tratado nas próximas viagens internacionais de Lula à Índia e Coreia do Sul, previstas para este mês. Um acordo específico sobre o assunto está em fase final de elaboração para assinatura durante a visita à Índia.