O Brasil reafirmou, de forma contundente, sua posição de rejeitar qualquer intervenção na Venezuela durante uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada nesta terça-feira (6). A convocação ocorreu após a ação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
O embaixador brasileiro Benoni Belli, representante do país na comissão, foi enfático ao discursar. Ele classificou o bombardeio e a captura do presidente Maduro como “inaceitáveis” e uma “ameaça à comunidade internacional”. Belli destacou que a defesa da soberania nacional, com base no direito internacional, é um princípio fundamental.
“Se perdermos isso, perderemos a dignidade nacional e nos tornaremos coadjuvantes do nosso próprio destino. As relações de cooperação passarão a ser de subordinação, e assistiremos ao colapso da ordem internacional, que tenderá a ser regida pela lei da selva”, afirmou o diplomata.
O embaixador reforçou que o Brasil não hesitará em defender a não intervenção e a paz na América do Sul. Durante a sessão, o discurso do embaixador dos Estados Unidos, Leandro Lizzuto, foi interrompido por uma manifestante não identificada, que protestava contra a ação norte-americana e em apoio à Venezuela. A reunião foi brevemente suspensa para sua retirada.
Esta posição na OEA segue a mesma linha da condenação feita pelo Brasil na véspera, durante reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, o embaixador Sérgio Danese declarou que não é possível “aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”.
Danese alertou que tal raciocínio “carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, correto ou incorreto, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos”. Ele acrescentou que a aceitação de ações dessa natureza poderia levar a um “cenário marcado pela violência, pelo desordenamento e pela erosão do multilateralismo”.
A declaração do embaixador na ONU está alinhada com a nota oficial divulgada pelo governo brasileiro, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia da intervenção. O texto afirma que “O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”.
Na reunião da ONU, Rússia e China, aliados do governo venezuelano, também condenaram a ação dos EUA. Os Estados Unidos, por sua vez, defenderam-se das críticas ao se referirem a Maduro como um “fugitivo da Justiça” e classificarem a operação como “cumprimento da lei”.
Fonte: G1