O assessor especial da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, conversou por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manhã desta segunda-feira (2) sobre a escalada de conflitos no Oriente Médio. Lula encontrava-se em Brasília, enquanto Amorim cumpria agenda no Rio de Janeiro.
Durante a ligação, os dois avaliaram os desdobramentos mais recentes da crise e possíveis iniciativas diplomáticas do Brasil, com foco na atuação do Itamaraty e na defesa de uma solução negociada para reduzir as tensões na região.
Amorim lembrou ao presidente os esforços da diplomacia brasileira em 2010, ao lado da Turquia, que resultaram na Declaração de Teerã. A iniciativa, que buscava reduzir a tensão em torno do programa nuclear iraniano através de um acordo onde o Irã enviaria parte de seu urânio enriquecido para custódia internacional na Turquia, teve repercussão positiva, mas foi rejeitada pelos Estados Unidos e não avançou.
O governo brasileiro avalia atualmente os impactos da escalada de conflitos e possíveis desdobramentos diplomáticos, inclusive com os Estados Unidos. Amorim afirmou que o Brasil “deve se preparar para o pior” cenário, dado o potencial do conflito com o Irã de se alastrar. Até o momento, o governo divulgou uma nota em solidariedade às vítimas e pediu pelo fim de ações militares na região do Golfo.
Também nesta segunda-feira, após a conversa entre Lula e Amorim, o Ministério das Relações Exteriores informou que o ministro Mauro Vieira conversou por telefone com o chanceler dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed Al Nahyan. Os dois trataram dos desdobramentos da guerra e do fechamento do espaço aéreo na região, com o Itamaraty expressando preocupação com a situação de brasileiros nos aeroportos de Dubai e Abu Dhabi.
O governo brasileiro e o governo dos Estados Unidos preparam uma visita de Estado do presidente Lula a Washington ainda em março. Com os ataques ao Irã e a escalada de conflitos na região, envolvendo diretamente os EUA, o Itamaraty não descarta alterações na agenda do encontro entre Lula e o presidente Donald Trump.
O Itamaraty também mantém contato com as embaixadas de países que registraram ataques ao longo do fim de semana, como Israel, Irã e Emirados Árabes. Segundo interlocutores do governo, o momento é visto com “cautela”, buscando equilibrar a relação com os Estados Unidos e manter a tradição brasileira de condenar guerras e conflitos.