O Brasil registrou uma queda nas mortes violentas intencionais pelo quinto ano seguido, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em 2025, foram contabilizados 34.086 casos, contra 38.374 em 2024, representando uma redução de 11% e uma taxa nacional de 16 mortes por 100 mil habitantes.
No entanto, em contraste com a tendência geral, o número de feminicídios atingiu um recorde histórico em 2025, com 1.470 casos registrados, superando a marca anterior de 2024. Isso significa que, em média, ao menos quatro mulheres foram assassinadas por dia no ano passado.
Taxas de Mortes Violentas por Estado
Os estados com as maiores taxas de mortes violentas por 100 mil habitantes em 2025 foram:
- Ceará: 32,6
- Pernambuco: 31,6
- Alagoas: 29,4
Por outro lado, os estados com as menores taxas foram:
- São Paulo: 5,4
- Santa Catarina: 6,4
- Distrito Federal: 8,8
É importante ressaltar que o total nacional de 34.086 casos ainda não inclui os dados de dezembro para os estados de São Paulo e Paraíba, cujas informações não haviam sido integradas ao sistema federal até a divulgação dos números. Projeções indicam que, mesmo com a inclusão desses dados, a queda anual se manteria em torno de 10,4%.
Variações Estaduais e o Papel do Crime Organizado
A queda nacional foi observada em 21 dos 27 estados. Destaques positivos incluem Amazonas (-33%), Mato Grosso do Sul (-28%), Paraná e Rio Grande do Sul (ambos com -24%). Especialistas apontam que, em alguns casos, a redução está associada à hegemonia de uma única facção criminosa em determinado território, o que diminui os conflitos internos. No Amazonas, por exemplo, a consolidação do Comando Vermelho (CV) teria contribuído para a queda.
Por outro lado, seis unidades federativas registraram aumento nas mortes violentas:
- Tocantins: +17%
- Rio Grande do Norte: +14%
- Roraima: +9%
- Acre: +6%
- Distrito Federal: +5%
- Rio de Janeiro: +2%
Em estados como Tocantins e Rio Grande do Norte, pesquisadores atribuem a alta a guerras entre facções rivais, como CV e PCC, e à ruptura de alianças criminosas locais, que reacenderam conflitos por rotas de drogas e territórios.
Feminicídios em Ascensão
Enquanto os homicídios totais caem, os feminicídios seguem trajetória oposta. A tipificação do crime, criada em 2015, registrou 535 casos naquele ano. A marca de 1.470 em 2025 representa um crescimento de 316% em uma década. São Paulo (233 casos), Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104) lideram os números absolutos, que ainda devem subir com a consolidação dos dados de dezembro.
Em 2024, uma nova lei aumentou as penas para feminicídio, que agora variam de 20 a 40 anos de prisão.
Contexto e Perspectivas
A redução acumulada desde 2020 é de 25%, afastando o país do pico histórico de mais de 60 mil assassinatos registrado em 2017. Especialistas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que a tendência de queda, inaugurada em 2018, pode estar relacionada a uma diminuição nos enfrentamentos diretos entre facções, à consolidação de controles territoriais por grupos criminosos e a políticas públicas de segurança implementadas em períodos eleitorais.
Apesar do cenário positivo geral, o recorde de assassinatos de mulheres evidencia um grave problema social que demanda atenção específica e políticas efetivas de prevenção e combate à violência de gênero.