O Brasil registrou uma queda de 11% nas mortes violentas intencionais em 2025, marcando o quinto ano consecutivo de redução nos assassinatos. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram 34.086 casos no ano passado, contra 38.374 em 2024.
O número de 34.086 ainda não inclui os dados de dezembro dos estados de São Paulo e Paraíba, que não haviam sido enviados ao sistema federal até a divulgação do balanço. Considerando as médias mensais desses estados, a queda anual seria de aproximadamente 10,4%.
As mortes violentas intencionais englobam homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.
Cinco anos de redução
A queda acumulada desde 2020, primeiro ano da pandemia, é de 25%. O recorde da série histórica foi em 2017, com mais de 60 mil assassinatos. Após um pico, os números caíram em 2018 e 2019, subiram em 2020 e vêm caindo desde então.
Especialistas apontam que a redução está ligada a mudanças na dinâmica do crime organizado, com menos guerras por território entre facções, e a políticas públicas de segurança.
Queda em todas as regiões
A redução foi registrada em todas as cinco regiões do país:
- Sul: -22% (de 3.935 para 3.055)
- Centro-Oeste: -18% (de 2.682 para 2.204)
- Norte: -11% (de 4.304 para 3.829)
- Nordeste: -10% (de 17.052 para 15.412)
- Sudeste: -8% (de 10.401 para 9.586)
Os estados com maior queda foram Mato Grosso do Sul (-28%), Paraná e Rio Grande do Sul (-24%). Tocantins (17%), Rio Grande do Norte (14%) e Roraima (9%) registraram aumento.
Em números absolutos, Bahia (3.900), Rio de Janeiro (3.581) e Pernambuco (3.023) lideram. A taxa nacional de assassinatos por 100 mil habitantes caiu de 18,05 em 2024 para 15,97 em 2025.
Recorde trágico nos feminicídios
Em contraste com a queda geral, os feminicídios bateram um triste recorde em 2025: 1.470 casos, superando os 1.464 de 2024. Isso representa pelo menos quatro mulheres mortas por dia. Os números podem aumentar com a inclusão dos dados pendentes de São Paulo e Paraíba.
São Paulo lidera em números absolutos (233 casos), seguido por Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104). Desde a criação da tipificação do crime em 2015, houve um crescimento de 316% nos registros. Em 2024, uma nova lei aumentou as penas para feminicídio, que agora variam de 20 a 40 anos de prisão.