O governo brasileiro avalia que o país será um ator indispensável nos esforços internacionais para estabilizar a Venezuela, posicionando-se como um interlocutor fundamental para os Estados Unidos. A aposta é de que a experiência regional e a capacidade de mediação do Brasil serão essenciais para atrair investimentos, especialmente do setor petrolífero, para a nação sul-americana.

Segundo assessores próximos ao presidente, a estratégia envolve manter um canal de diálogo produtivo tanto com a administração norte-americana quanto com o novo comando em Caracas. O objetivo é permitir uma atuação mais intensa e direta do Brasil no processo de pacificação venezuelana.

A importância atribuída a essa relação bilateral é tamanha que uma visita do presidente Lula aos Estados Unidos, no primeiro semestre, permanece nos planos do Palácio do Planalto. O convite foi formulado pelo presidente Donald Trump em conversa telefônica no final do ano passado, e a agenda segue sendo considerada prioritária, mesmo após as recentes ações norte-americanas em relação a Nicolás Maduro.

Esta postura, contudo, coexiste com uma linha diplomática paralela. O Itamaraty tem criticado publicamente o que classifica como interferência inaceitável dos EUA nos assuntos internos da Venezuela, criando um equilíbrio delicado na política externa brasileira.

Analistas próximos ao governo reconhecem que cultivar uma relação funcional com Washington também possui um cálculo de política interna. Considera-se que a influência do governo norte-americano em processos eleitorais na América Latina, inclusive com possíveis interferências nas eleições brasileiras de outubro, torna o diálogo direto uma ferramenta estratégica adicional.

Fonte: G1