Cidades por todo o Brasil foram palco de atos e manifestações neste domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher. As mobilizações, organizadas por movimentos feministas, entidades da sociedade civil e sindicatos, centraram-se no combate à violência de género, na exigência de políticas públicas eficazes e na luta por igualdade de direitos.

Os protestos ganharam força perante dados alarmantes: em 2025, o Brasil registou um recorde de 1.470 feminicídios, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Casos de grande impacto, como o estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro e o assassinato da professora Catarina Kasten em Santa Catarina, mantiveram o tema no centro do debate público.

Rio de Janeiro: Memória e Resistência em Copacabana

Na orla de Copacabana, manifestantes concentraram-se junto ao Posto 3. O ato, que contou com um trio elétrico e uma performance da Escola de Teatro Popular, percorreu a praia até ao Posto 1. Cartazes com frases como “Não é Não” e “Eu Quero Viver Sem Medo” marcaram a presença. Num gesto simbólico e pungente, integrantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil fincaram cruzes na areia, sob o lema “Parem de Nos Matar”, homenageando as vítimas de feminicídio.

São Paulo: A Paulista em Marcha pela Igualdade

Na Avenida Paulista, um grande ato começou às 14h, reunindo organizações como a Apeoesp, a Bancada Feminista e o Movimento de Mulheres de Olga Benário. As reivindicações incluíam o fim da violência, a igualdade de género e críticas à precarização laboral, simbolizada pela jornada de trabalho 6×1.

Porto Alegre: Um Corredor de Luto e Memória

No centro da capital gaúcha, uma intervenção teatral marcou o protesto. Participantes carregaram sapatos cobertos por um líquido vermelho, representando sangue, enquanto ecoavam os nomes das 20 mulheres assassinadas no Rio Grande do Sul apenas em 2026. O estado registou um aumento de 53% nos feminicídios até fevereiro, face ao mesmo período de 2025.

Florianópolis: Caminhada e Reflexão

Em Florianópolis, a manifestação começou com rodas de conversa no Parque da Luz, seguindo depois em caminhada pela Beira-Mar Norte. Os nomes de vítimas locais, como o de Catarina Kasten – jovem violentada e assassinada em 2025 –, foram lembrados, reforçando o apelo por justiça e prevenção.

Estes atos nacionais evidenciam uma mobilização coletiva e urgente, que transforma o luto em luta e exige, de forma uníssona, um fim para a violência de género e a construção de uma sociedade verdadeiramente igualitária.