O governo brasileiro comunicou formalmente à Argentina e à Venezuela a decisão de encerrar a custódia da embaixada argentina em Caracas. A medida marca o fim de uma representação diplomática temporária que começou em agosto de 2024, a pedido do presidente argentino Javier Milei.
Naquele período, o Brasil assumiu a proteção dos interesses argentinos na Venezuela após a expulsão de diplomatas do país pelo então presidente venezuelano Nicolás Maduro. O Itamaraty, por meio de sua embaixada em Caracas, passou a representar os cidadãos argentinos e a custodiar os bens e arquivos da missão diplomática.
Fontes diplomáticas brasileiras avaliaram que o país “já fez a sua parte”, destacando o esforço para garantir a integridade de assessores da opositora venezuelana María Corina Machado, que estavam refugiados na embaixada argentina. O caso foi considerado de “grande sensibilidade” nas relações com Caracas.
“Defendemos a inviolabilidade da residência e asseguramos o atendimento às necessidades básicas dessas pessoas por mais de nove meses, com gestões quase diárias. A oposição venezuelana reconheceu o nosso compromisso e o nosso esforço”, afirmaram as fontes à época.
A decisão de encerrar a representação ocorre em um cenário político alterado na Venezuela. Em janeiro de 2025, uma operação dos Estados Unidos resultou na captura de Nicolás Maduro, acusado de chefiar uma organização criminosa ligada ao narcotráfico. O país passou a ter uma nova liderança, que cede à pressão norte-americana enquanto intensifica a repressão interna.
A intervenção americana seguiu meses de tensão, com os EUA dobrando a recompensa por informações sobre Maduro e realizando ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas.
Fonte: G1