Horas após a operação militar americana em Caracas e a prisão do presidente Nicolás Maduro, o governo brasileiro mobilizou uma força-tarefa para analisar os desdobramentos políticos na Venezuela. Fontes do Palácio do Planalto relataram à GloboNews que, na manhã de sábado (3), enquanto Maduro era levado para os Estados Unidos, emissários brasileiros estabeleceram contato telefônico com a presidente interina Delcy Rodríguez, o ex-vice-ministro das Relações Exteriores Rander Peña e o candidato independente Antonio Ecarri Angola.
Segundo interlocutores do governo brasileiro, integrantes do antigo regime de Maduro reconheceram que existiam negociações prévias entre Delcy Rodríguez e o governo de Donald Trump antes da ação militar. Um emissário do Planalto afirmou que Venezuela e EUA “não tinham chegado a termos” definitivos, e que os americanos “avançaram e prenderam Maduro quando viram que tinham condições”.
O governo brasileiro foi informado de que Delcy Rodríguez busca representar uma coesão dentro do chavismo. Agora, a avaliação em Brasília é se a presidente interina pode ser vista como “a transição pacífica dos venezuelanos para os venezuelanos”. Fontes descrevem Rodríguez como “pragmática”.
Um ponto levantado nas negociações, o respeito à ordem constitucional venezuelana, estaria sendo seguido pela Casa Branca. Após a captura de Maduro, o presidente Donald Trump rejeitou publicamente a possibilidade de a líder oposicionista María Corina Machado assumir o poder, afirmando que ela não teria “apoio ou respeito” para governar. Para setores moderados da oposição, a declaração sinalizou uma opção americana por Delcy Rodríguez como figura de transição.
Os próximos sinais sobre o cenário político devem vir da nova legislatura da Assembleia Nacional da Venezuela, cujos 285 deputados eleitos, incluindo Antonio Ecarri Angola, tomam posse nesta segunda-feira (5).
As relações diplomáticas entre Brasil e Venezuela estão fragilizadas desde a reeleição contestada de Maduro em julho de 2024. O Brasil questionou os resultados, pediu as atas eleitorais – não atendidas pelo regime – e atuou contra a entrada da Venezuela no bloco econômico Brics.
Fonte: G1