A economia brasileira gerou um saldo de 85,9 mil empregos formais em novembro de 2025, segundo dados divulgados nesta terça-feira (30) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado, que representa a diferença entre 1,980 milhão de contratações e 1,894 milhão de demissões, é o pior para um mês de novembro desde o início da série histórica do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em 2020.
Em comparação com novembro de 2024, quando foram criadas 106,1 mil vagas, houve um recuo de 19,1% na geração líquida de postos de trabalho com carteira assinada. A série histórica para o mês de novembro mostra uma tendência de desaceleração: 376,4 mil vagas em 2020, 314,1 mil em 2021, 127,9 mil em 2022, 121,4 mil em 2023, 106,1 mil em 2024 e, agora, 85,9 mil em 2025.
No acumulado de janeiro a novembro de 2025, foram criados 1,9 milhão de empregos formais, uma queda de 10,9% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram abertas 2,12 milhões de vagas. Este é o menor resultado para os onze primeiros meses do ano desde 2023.
Análise Setorial e Regional
Os dados do Caged de novembro revelam que apenas dois dos cinco grandes setores da economia tiveram saldo positivo na criação de empregos formais:
- Comércio: +78,2 mil vagas
- Serviços: +75,1 mil empregos
- Agropecuária: -16,6 mil vagas
- Construção Civil: -23,8 mil vagas
- Indústria de Transformação: -27,1 mil vagas (maior queda)
Regionalmente, quatro das cinco regiões do país apresentaram saldo positivo, com destaque para o Sudeste. Apenas o Centro-Oeste registrou fechamento líquido de vagas:
- Sudeste: +43,3 mil
- Nordeste: +35,6 mil
- Sul: +11,6 mil
- Norte: +6,0 mil
- Centro-Oeste: -10,8 mil
Contexto Econômico e Declarações
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o resultado de novembro não surpreende, mas destacou a perda de postos na indústria, um setor que tradicionalmente não demite neste mês. Para o ministro, a desaceleração do mercado de trabalho reflete o desaquecimento da economia, influenciado pelas altas taxas de juros. Ele citou ainda que o impacto do aumento de tarifas de importação (“tarifaço”) está concentrado em ramos industriais específicos, como calçados e madeira.
“Acredito que ano que vem é cenário para redução de juros. (O Banco Central) ter mantido os juros já é uma certa agressão no cenário econômico. Espero redução de juros para ajudar na continuidade de crescimento”, declarou Marinho.
Salário e Metodologia
O governo também informou que o salário médio de admissão em novembro foi de R$ 2.310,78, valor que representa um ganho real (acima da inflação) em relação ao registrado em novembro de 2024 (R$ 2.242,83).
É importante ressaltar que os dados do Caged consideram apenas os trabalhadores com carteira assinada, não incluindo o emprego informal. Portanto, seus resultados não são diretamente comparáveis com as taxas de desemprego divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que são coletadas por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e abrangem todo o mercado de trabalho.
Fonte: G1. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego/Caged. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/12/30/brasil-cria-859-mil-empregos-formais-em-novembro-com-queda-de-191percent-frente-ao-mesmo-mes-de-2024.ghtml