O governo brasileiro conta com articulações de países europeus defensores do acordo entre a União Europeia e o Mercosul para que ele entre em vigor, pelo menos de forma temporária. Não se descarta a possibilidade de aprovação por países que poderiam implementar o acordo assim que cada membro do Mercosul o ratificar em seus parlamentos.
A Alemanha, por exemplo, defende a adoção imediata do acordo e pode fazer articulações dentro da Comissão Europeia nesse sentido. No entanto, a iniciativa depende dos países europeus que realmente desejam a entrada em vigor imediata, para que negociem formas de contornar a decisão do Parlamento Europeu de submeter o acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia.
Segundo assessores presidenciais, é possível obter autorização para uma entrada em vigor temporária. A dúvida é se a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, estará disposta a confrontar os parlamentares que aprovaram a proposta de submeter o acordo ao tribunal. Ursula tem enfrentado resistências dentro do Parlamento Europeu e precisa equilibrar os interesses de ambos os lados.
Do ponto de vista do Brasil, o Ministério das Relações Exteriores esclareceu que a decisão do Parlamento Europeu não altera o planejamento interno. O governo pretende aprovar ainda neste semestre o acordo no Congresso Nacional, para estar pronto para sua implementação assim que a União Europeia superar seus obstáculos internos.