O governo brasileiro irá condenar formalmente os ataques à Venezuela durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU desta segunda-feira (5). A posição, a ser apresentada pelo embaixador Sérgio Danese, reafirma a política externa tradicional do Brasil em defesa da soberania nacional e da integridade territorial, rejeitando qualquer forma de intervenção externa.
Segundo avaliação de diplomatas, a sessão terá um caráter predominantemente simbólico. A expectativa é de que o fórum sirva principalmente como palco para a Venezuela e os Estados Unidos exporem suas posições, sem que dela resulte qualquer ação concreta ou mudança significativa na situação do país vizinho.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou preocupação com declarações recentes que ameaçam a estabilidade regional. O objetivo declarado é evitar um retorno a um cenário de “lei da selva” na América do Sul e assegurar que qualquer transição de poder na Venezuela seja conduzida pelos próprios venezuelanos, com controle sobre seus recursos naturais.
Resposta coordenada da América Latina
Ciente das limitações do Conselho de Segurança, o Brasil articulou, em conjunto com outros países, uma declaração conjunta divulgada no domingo (4). O documento, subscrito por Brasil, Chile, México, Colômbia, Espanha e Uruguai, condena os ataques à Venezuela e rejeita veementemente qualquer tentativa de controle administrativo do país ou apropriação de seus recursos minerais, numa clara referência ao petróleo.
A nota foi uma resposta direta a declarações do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, após uma operação, afirmou que os EUA administrariam a Venezuela e controlariam sua exploração petrolífera. Os signatários reforçaram a condenação à violação do direito internacional e ao desrespeito à soberania e integridade territorial venezuelanas.
Estrategicamente, o texto não menciona nomes de líderes, como Trump ou Nicolás Maduro, buscando evitar escaladas retóricas. A iniciativa reflete um esforço coletivo para encontrar um caminho baseado no diálogo e numa transição pacífica, mantendo a América do Sul como uma zona de paz.
Fonte: G1