A raça Brangus, resultado do cruzamento entre o Angus e o Brahman há mais de um século nos Estados Unidos, foi desenvolvida com um duplo propósito: combinar a rusticidade necessária para ambientes desafiadores com a produção de uma carne de excelente qualidade. O nome “Brangus” é uma junção que reflete essa herança genética bem-sucedida.

No Brasil, especialmente na região oeste paulista, conhecida por suas altas temperaturas, o Brangus encontrou um ambiente propício e se tornou uma das raças bovinas mais utilizadas. Em propriedades como a da família de Henrique de Almeida, com rebanhos que superam 5 mil cabeças, a criação é feita a pasto, com os animais soltos e acesso a água e sombra, priorizando o bem-estar, a reprodução e o constante melhoramento genético.

“São animais que performam bem, cobrem vaca a campo e entregam carne de qualidade. As duas principais características da raça Brangus são rusticidade e qualidade de carne”, destaca o pecuarista.

O ponto ideal para o abate, visando o melhor rendimento e qualidade, são novilhas a partir de 22 meses e com peso superior a 500 kg. “Este método proporciona um acabamento mais rápido, o que reduz o tempo de confinamento. Como resultado, os animais são abatidos mais jovens e no ponto ideal, garantindo uma carne de melhor qualidade e com mais maciez”, explica o zootecnista e professor Marco Aurélio.

Para alcançar animais cada vez mais produtivos, o avanço genético é fundamental. Empresas especializadas realizam um trabalho minucioso de seleção e inseminação artificial. Mais de 200 touros da raça Brahman de diversas regiões do país são monitorados. O processo, que vai do pasto ao laboratório, envolve a coleta de sêmen de animais entre um ano e meio e cinco anos, como é o caso do reprodutor “Tanque”, que pesa mais de 800 kg.

Assim, o Brangus consolida-se como uma opção estratégica para a pecuária moderna, unindo a resistência necessária para sistemas extensivos com a entrega de um produto final valorizado no mercado: uma carne macia e saborosa.