O ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido a uma bateria de exames neurológicos nesta quarta-feira (7), após sofrer uma queda na sala onde cumpre pena, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Os procedimentos foram realizados no hospital particular DF Star e incluem Tomografia Computadorizada de Crânio, Ressonância Magnética de Crânio e Eletroencefalograma.

Os exames, solicitados pela defesa do ex-presidente e autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, visam avaliar de forma abrangente a condição da cabeça e do cérebro de Bolsonaro. Cada um possui uma função específica no diagnóstico médico.

Tomografia Computadorizada de Crânio

Este exame de imagem utiliza raios-X e tecnologia computadorizada para gerar cortes detalhados da cabeça. É fundamental para identificar fraturas ósseas, hemorragias, coágulos, tumores e outras alterações estruturais. Por sua rapidez, é frequentemente o primeiro exame solicitado em casos de trauma craniano, além de ser usado para acompanhar a evolução de doenças e planejar cirurgias. O paciente deita em uma maca que se move através de um equipamento em formato de túnel, podendo ser necessário o uso de contraste. O procedimento é rápido, durando poucos minutos, e exige que o paciente permaneça imóvel.

Ressonância Magnética de Crânio

A Ressonância Magnética emprega um campo magnético e ondas de rádio (sem radiação ionizante) para produzir imagens extremamente detalhadas do cérebro e das estruturas internas da cabeça. É o exame de escolha para avaliar condições como tumores, aneurismas, acidentes vasculares cerebrais (AVC), inflamações e doenças como a esclerose múltipla. Também é crucial para monitorar tratamentos e planejar intervenções cirúrgicas. Durante o exame, que dura cerca de 30 minutos, o paciente fica dentro de um túnel magnético, podendo receber um contraste à base de gadolínio. O equipamento é barulhento e a imobilidade é essencial.

Eletroencefalograma

Diferente dos exames de imagem, o Eletroencefalograma (EEG) registra a atividade elétrica do cérebro. Para isso, eletrodos são fixados no couro cabeludo do paciente com um gel condutor. Este exame é vital para diagnosticar epilepsia, alterações do nível de consciência, distúrbios do sono, encefalites e sequelas de AVC. Também pode ser utilizado para indicar morte cerebral ou monitorar a profundidade da anestesia durante procedimentos. O paciente é submetido a estímulos simples, como abrir e fechar os olhos, enquanto a atividade cerebral é registrada por um período que varia de 20 a 40 minutos.

Sinergia dos Exames

A combinação dos três exames oferece uma visão completa e multidimensional da saúde cerebral. Enquanto a Tomografia é excelente para visualizar estruturas ósseas e sangramentos agudos, a Ressonância Magnética detalha com precisão os tecidos moles e lesões neurológicas mais complexas. Já o Eletroencefalograma complementa essa análise estrutural com uma avaliação funcional, mostrando como o cérebro está trabalhando eletricamente. Juntos, eles fornecem informações fundamentais para um diagnóstico preciso e para a definição do plano de tratamento mais adequado.

Contexto da Queda

Segundo o cirurgião Claudio Birolini, Bolsonaro se sentiu mal, caiu da cama onde dorme e sofreu um traumatismo cranioencefálico (TCE) leve. O incidente ocorreu seis dias após o ex-presidente receber alta de outros procedimentos médicos para tratar uma hérnia e um quadro de soluços. Conforme apurado pela TV Globo, Bolsonaro não teria pedido ajuda imediata aos agentes da PF, e a lesão foi identificada apenas no dia seguinte. Após avaliação inicial, o médico recomendou observação.

A Polícia Federal emitiu uma nota confirmando o atendimento médico após a queda na madrugada. O médico da corporação constatou ferimentos leves e, inicialmente, não identificou necessidade de encaminhamento ao hospital, recomendando apenas observação. Posteriormente, a PF informou que um eventual encaminhamento dependeria de autorização do STF, o que foi concedido para a realização dos exames.

Fonte: G1