A estatal petrolífera venezuelana PDVSA iniciou um processo de redução da produção de petróleo bruto após esgotar sua capacidade de armazenamento. A medida é uma consequência direta do bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos, que interrompeu as exportações e aumentou a pressão sobre o governo interino do país.
Caracas enfrenta uma crise política após a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa por forças norte-americanas. Com a deposição do líder, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o cargo sob a ameaça de novas ações militares dos EUA.
As exportações de petróleo, principal fonte de receita da Venezuela e membro da OPEP, estão paralisadas desde que os EUA impuseram um bloqueio a navios-tanque sob sanções e apreenderam dois carregamentos. Apenas as operações da petrolífera americana Chevron, com licença de Washington, continuavam, mas também foram interrompidas recentemente.
Ao anunciar a detenção de Maduro, o então presidente Donald Trump declarou que um “embargo ao petróleo” contra a Venezuela estava plenamente em vigor. No entanto, o secretário de Estado Marco Rubio posteriormente afirmou que os EUA não teriam um papel direto no governo cotidiano, limitando-se a impor uma “quarentena do petróleo” como instrumento de pressão para promover mudanças políticas e interromper o tráfico de drogas.
A medida da PDVSA inclui o fechamento de campos petrolíferos à medida que os estoques em terra aumentam e a empresa fica sem diluentes necessários para processar o petróleo pesado venezuelano. A companhia solicitou cortes de produção em joint ventures como a Petrolera Sinovensa (CNPC), Petropiar (Chevron), Petroboscan e Petromonagas. Trabalhadores já começaram a desligar conjuntos de poços devido ao excesso de petróleo extrapesado e à falta de insumos.
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris. No entanto, sua produção despencou de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para cerca de 1 milhão em 2023, representando menos de 1% da produção global. A dependência histórica do petróleo, que chegou a representar mais de 90% das exportações, tornou o país extremamente vulnerável a sanções e quedas de produção, agravando uma crise econômica marcada por hiperinflação.
Fonte: G1