O Banco Central (BC) e a Polícia Federal (PF) continuam a investigar o prejuízo real sofrido pelo BRB – banco público do Distrito Federal – com a compra de carteiras de crédito fraudulentas do banco Master. Apesar de o BC ter determinado o desfazimento das operações, avaliadas em R$ 12,2 bilhões, ainda não está claro se toda a transação foi revertida.
Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou à delegada Janaína Palazzo, responsável pelo inquérito, que o banco não conseguiu recuperar aproximadamente R$ 2,5 bilhões pagos ao Master. O valor se perdeu devido ao processo de liquidação do banco de Daniel Vorcaro. As autoridades, no entanto, investigam se o prejuízo foi maior.
Daniel Vorcaro, dono do Master, declarou em depoimento na mesma semana que não causou qualquer prejuízo ao BRB. O Banco Central aprofunda as análises para verificar essa afirmação. Investigadores ressaltam que, mesmo que se comprove a ausência de dano financeiro direto, a fraude nas carteiras analisadas pelo BC já configura crime contra o sistema financeiro nacional.
Paralelamente, o BC informou ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre outra suspeita de fraude, no valor de R$ 11,5 bilhões, que está sob apuração do Ministério Público Federal. O caso envolveria fundos administrados pela Reag, empresa que também foi alvo da Operação Carbono Oculto, ligada à máfia dos combustíveis e ao PCC.
Conforme comunicado enviado pelo BC em 17 de novembro do ano passado, o Master teria utilizado recursos de fundos de valor duvidoso para simular aportes de capital, com o objetivo de demonstrar condições para continuar operando.
Fonte: G1