A investigação interna aberta pelo Banco Central para apurar possíveis falhas no caso do Banco Master tem como foco principal acompanhar o processo e as medidas tomadas pelo órgão desde 2019, período que abrange a gestão do ex-presidente Roberto Campos Neto.
A auditoria, conduzida de forma independente, analisa desde a autorização para a transferência do controle do banco Máxima para o Master, passando pela consolidação do processo – que levou cerca de dois anos – até os problemas de liquidez identificados em 2024.
Segundo fontes, a principal linha de trabalho da investigação sustenta que existiam elementos para que a medida drástica de liquidação tivesse sido tomada antes, possivelmente evitando um rombo financeiro estimado em quase R$ 50 bilhões apenas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de prejuízos a fundos de pensão e outros investidores.
A sindicância foi aberta pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, em novembro, e responde ao avanço das apurações do Ministério Público Federal, que encontraram fortes indícios de problemas de liquidez e vendas de carteiras fictícias ainda em 2024.
Em entrevista à Globonews em outubro, antes da liquidação, Campos Neto afirmou não ter conhecimento da negociação entre o BRB e o Master durante sua gestão e disse que o banco representava um risco de imagem, mas não sistêmico, ao setor financeiro.
Com a abertura da auditoria, os chefes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, foram afastados dos cargos, embora não haja acusações formais contra eles até o momento.