O Banco Central (BC) decretou, nesta quinta-feira (15), a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, empresa que atuava sob o nome Reag Trust DTVM e era a gestora dos fundos do grupo Reag Investimentos. Com a decisão, as operações da gestora foram imediatamente encerradas.

A medida atinge diretamente a instituição financeira, mas não os mais de 80 fundos de investimento que ela administrava. Esses fundos permanecem ativos, porém precisarão buscar novas gestoras para assumir sua administração.

Segundo o BC, a decretação da liquidação foi motivada por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]”. A autoridade monetária afirmou que a Reag descumpriu regras legais e prudenciais, comprometendo sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei, o que levou à decisão de interromper suas atividades para proteger investidores e o sistema financeiro.

A Reag é investigada em duas frentes distintas que agravaram sua situação regulatória:

  • Operação Compliance Zero: A empresa é investigada por suposta participação em um esquema de fraudes financeiras no Banco Master. A Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.
  • Operação Carbono Oculto: A gestora também foi alvo desta megaoperação da Polícia Federal contra o PCC. A investigação aponta que a empresa geriu fundos de investimentos utilizados pela facção criminosa para lavagem de dinheiro, em um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis.

O BC nomeou a APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda. como liquidante da Reag. Além disso, ficaram indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores da instituição.

O órgão ressaltou que a Reag se enquadrava no segmento S4 da regulação prudencial, reunindo instituições de pequeno porte com baixo impacto sistêmico, representando menos de 0,001% do ativo total do SFN.

Na quarta-feira (14), um dia antes do decreto de liquidação, a Polícia Federal já havia cumprido mandados de busca e apreensão contra João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag, na segunda fase da Operação Compliance Zero.