O Banco de Brasília (BRB) pode precisar provisionar até R$ 5 bilhões para cobrir operações realizadas com o Banco Master, segundo revelou o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton Aquino, em depoimento à Polícia Federal. O valor é quase o dobro da provisão inicial de R$ 2,6 bilhões solicitada pelo BC.
“A dimensão da provisão dentro do balanço do BRB será de elevada monta. Será de mais de R$ 4 bilhões. […] A probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste”, afirmou Aquino, conforme informações obtidas pela agência Reuters.
O depoimento ocorreu no final de dezembro, no âmbito de um inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga, entre outros pontos, suspeitas de fraudes nas transações entre as duas instituições financeiras.
O Banco Master foi alvo de liquidação extrajudicial decretada pelo BC em 18 de novembro. No mesmo dia, seu controlador, o empresário Daniel Vorcaro, foi preso em operação da PF que apura suspeitas de fraudes bilionárias. Vorcaro foi posteriormente solto, mas cumpre medidas cautelares.
Em setembro, o BC havia rejeitado a compra do Master pelo BRB – negócio anunciado em março – após concluir que o banco público não teria capacidade financeira para arcar com a operação.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que as carteiras de crédito negociadas com o BRB foram substituídas por outros ativos, todos regularmente registrados, auditados e precificados de acordo com metodologias formais sob supervisão do BC. A defesa lamentou a divulgação de trechos de depoimentos “fora de contexto” e afirmou confiar na apuração técnica dos fatos.
O BC e o BRB não se pronunciaram imediatamente sobre o depoimento.