A Bayer anunciou um acordo histórico de até 7,25 bilhões de dólares para encerrar dezenas de milhares de processos judiciais, atuais e futuros, relacionados ao herbicida Roundup, à base de glifosato. O acordo, que ainda depende de aprovação judicial e adesão dos demandantes, visa resolver anos de litígios que alegam que o produto causa câncer.

A empresa alemã, que adquiriu a Monsanto em 2018, enfrenta cerca de 65 mil ações pendentes em tribunais estaduais e federais dos EUA. Os autores das ações alegam ter desenvolvido linfoma não Hodgkin após o uso do herbicida. A Bayer contesta a alegação de que o glifosato cause a doença e o acordo não exige que a empresa admita culpa.

O acordo proposto estabelece um programa de indenização financiado por pagamentos anuais por até 21 anos. Os valores pagos aos indivíduos variam conforme o uso do produto, idade do diagnóstico e gravidade da doença, podendo chegar a mais de 198 mil dólares. Um trabalhador agrícola exposto por longo período e diagnosticado antes dos 60 anos receberia em média 165 mil dólares, enquanto um usuário residencial mais idoso receberia valores significativamente menores.

Analistas veem o acordo como um passo na direção certa para a Bayer, que viu suas ações caírem 12% após o anúncio devido à incerteza sobre os termos. A empresa ainda aguarda uma decisão crucial da Suprema Corte dos EUA sobre a validade das ações judiciais, mas o acordo eliminaria parte dos riscos associados a esse veredito.