O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e seu cunhado, Fabiano Zettel, tiveram suas prisões mantidas pela Justiça Federal de São Paulo após audiência de custódia realizada na tarde desta quarta-feira (4). Os dois serão encaminhados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo.

A prisão de Vorcaro ocorreu no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras. Fabiano Zettel, também alvo de mandado de prisão, apresentou-se espontaneamente à Polícia Federal.

Os dois chegaram ao fórum da Justiça Federal, localizado na Rua Ministro Rocha Azevedo, na Bela Vista, em viaturas descaracterizadas, sem identificação externa, e ingressaram no prédio pela portaria lateral.

Posição da Defesa

A defesa de Daniel Vorcaro emitiu nota afirmando que o banqueiro “sempre esteve à disposição das autoridades” e “jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”. O texto nega “categoricamente as alegações atribuídas” a ele e expressa confiança de que “o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”.

A defesa de Fabiano Zettel também se manifestou, declarando que, “em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades”.

Operação Compliance Zero

Conforme a Polícia Federal, a operação visa investigar a “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A PF aponta que o esquema envolveria a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome “Compliance Zero” faz referência à alegada ausência de controles internos nas instituições para prevenir crimes financeiros.

Contexto e Outras Medidas

Daniel Vorcaro já havia sido preso preventivamente em novembro do ano passado ao tentar embarcar para a Europa em um avião particular no aeroporto de Guarulhos. A PF considerou que havia indícios de tentativa de fuga do país.

Além das prisões, a operação determinou ordens de afastamento de cargos públicos e o sequestro e bloqueio de bens, num montante que pode chegar a R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos do grupo investigado.

Outros alvos da operação foram o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

CPI do Crime Organizado

Vorcaro era aguardado para depor nesta quarta-feira na CPI do Crime Organizado, em Brasília. No entanto, ele havia sinalizado que compareceria apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O ministro André Mendonça havia decidido, na véspera, que a ida do banqueiro à CPI seria facultativa.