O Bank of America chegou a um acordo para resolver um processo civil movido por mulheres que acusam a instituição financeira de ter facilitado os abusos cometidos pelo criminoso sexual Jeffrey Epstein. A informação foi confirmada através de documentos judiciais divulgados nesta segunda-feira (16).
A ação coletiva foi apresentada em outubro do ano passado por uma mulher identificada pelo pseudónimo Jane Doe. A queixa acusa o segundo maior banco dos Estados Unidos de ter ignorado transações financeiras suspeitas ligadas a Epstein, apesar de existir uma “abundância” de informações sobre os seus crimes. Segundo a denúncia, o banco teria priorizado o lucro em detrimento da proteção das vítimas.
Em comunicado, o Bank of America defendeu-se, alegando que Doe apenas afirmou que o banco prestou serviços de rotina a indivíduos que, na altura, não tinham ligação conhecida com Epstein, e que qualquer sugestão de envolvimento mais profundo era “frágil e sem fundamento”.
Contudo, em janeiro, o juiz distrital Jed Rakoff, de Manhattan, determinou que o Bank of America teria de responder às acusações de que se beneficiou conscientemente do esquema de tráfico sexual de Epstein e de que dificultou a aplicação da Lei Federal de Proteção às Vítimas do Tráfico de Pessoas. Cabe agora ao juiz Rakoff aprovar formalmente o acordo alcançado.
Entre as transações citadas na ação estavam pagamentos feitos a Epstein pelo bilionário Leon Black, cofundador da Apollo Global Management. Black deixou a liderança da Apollo em 2021, após uma auditoria externa concluir que ele tinha pago 158 milhões de dólares a Epstein por supostos serviços de planeamento tributário e patrimonial. O executivo negou qualquer irregularidade e afirmou não ter conhecimento das atividades criminosas de Epstein.
Com o acordo, fica cancelado o depoimento sob juramento que Black prestaria a 26 de março, a pedido dos advogados de ambas as partes. O julgamento, marcado para 11 de maio, também será anulado se o juiz aprovar a resolução.
Os advogados das vítimas de Epstein já tinham celebrado acordos semelhantes com outras instituições financeiras. Em 2023, fecharam um acordo de 290 milhões de dólares com o JPMorgan Chase e outro de 75 milhões de dólares com o Deutsche Bank.
Jeffrey Epstein morreu numa cela de prisão em Manhattan em agosto de 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. A sua morte foi classificada como suicídio pelo médico-legista de Nova Iorque.