“Esse negócio de banco sempre falei é igual máfia”. Foi assim que Daniel Vorcaro descreveu a atividade bancária para a namorada, Martha Graeff, em mensagens privadas obtidas pela Polícia Federal (PF) após a quebra de sigilo telemático do banqueiro. O material foi enviado à CPMI do INSS.
“Não dá para sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal”, completou Vorcaro na conversa.
A mensagem, datada de 7 de abril de 2025, coincide com as tratativas para a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), um negócio que posteriormente foi vetado pelo Banco Central (BC) após mais de cinco meses de análise.
Na mesma troca de mensagens, Vorcaro se queixou à namorada sobre uma suposta pressão de André Esteves, dono do BTG Pactual, para que o BC não aprovasse a transação. “André baixou a guarda e ataques diminuíram bem. Criaram um problema que não existia”, afirmou o banqueiro.
As conversas também revelam a proximidade de Vorcaro com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Em uma mensagem, o banqueiro celebrou uma emenda apresentada pelo parlamentar que beneficiava o Banco Master. Em outra, declarou que Nogueira é “um dos meus grandes amigos de vida”.
Em nota, a assessoria do senador Ciro Nogueira afirmou que ele mantém diálogos por mensagens com centenas de pessoas, “o que não o torna próximo apenas por, eventualmente, interagir com elas”. A nota ainda destacou que o parlamentar “está tranquilo quanto às investigações da Polícia Federal” e que “não mantém nem nunca manteve qualquer conduta inadequada relacionada ao caso em apuração”.